Ninguém me entende! O que eu faço?
Não quero colo, quero que me entenda!
Quando tentamos explicar o que se passa na nossa cabeça, a última coisa que precisamos é parecer um ser alienígena. Obviamente, não quer dizer que a pessoa que está nos ouvindo ou nos lendo está fazendo de propósito, mas isso pode causar um sentimento de solidão, ou ainda, chamar aquela sensação de desesperança, o que torna tudo mais difícil. Bom, não dá pra simplesmente pedir pra pessoa tomar a pílula dos seus sentimentos - e nem ela tem o dever de fazer isso. Tratar sobre nossas fragilidades é muito mais complicado do que imaginamos, mas nós não precisamos seguir por esse caminho.
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Os sintomas de transtornos afetivos muitas vezes não são entendidos como sintomas. Foto editada de @armedshutter no Unsplash. |
Faz tempo que eu não posto aqui. Então decidi aparecer. NÃO, esse projeto não morreu. Mas atualmente, esse projeto me impacta mais do que qualquer um, acredite.
Ainda dependo de certas condições para fazer os outros se sentirem bem - foi o que levei mais de 20 anos para aprender. Então espero que entenda que preciso me respeitar.
Agora chega de desculpas e bora pro post!
Não! Não é isso!
Tem dias que a gente quer gritar para o mundo, mas parece que o mundo "no habla" (não fala) o mesmo idioma que o seu.
Eu sei como é. Sua amiga diz que é só você não se preocupar tanto, seu amigo diz que você tem que mudar, sua mãe diz que não pode ficar assim, seu namorado pergunta se você gosta de se sentir dessa forma. Enfim, um mar de tudo que você não precisa ouvir.
Você já pensou em procurar um grupo de apoio? Foi o que ouvi do meu Psiquiatra. Calma, não pira! Dá raiva, mas fica aqui que eu vou explicar.
E não vai entrando em qualquer grupo de Facebook ou WhatsApp aleatório que ver por aí, hein! Não estou falando de grupos desassistidos, sem administração, moderação, onde só vai piorar as coisas.
Estou falando de grupos sérios, organizados, com supervisão, conduzidos por pessoas que sabem o que estão fazendo.
Eu sei que não parece ser uma boa ideia. E pode ser que não seja mesmo. Mas a questão é, por quê não?
Às vezes, os sentimentos desagradáveis e os sintomas podem poluir as nossas ideias.
Pode ser que você não conheça ninguém que tenha se identificado com o que está enfrentando agora. Então, por quê não, passar a conhecer?
Tenha na cachola que o grupo de apoio não vai fazer cara de cobrança pra você e nem jogar tudo nas suas costas.
Eu sei que as pessoas podem não te conhecer, e isso soa estranho. Mas essas pessoas podem, pelo menos, reconhecer como você se sente.
Na minha cabeça mesmo, eu tinha o sentimento de que ninguém podia me entender. E ninguém pode entender cem por cento mesmo.
Mas só depois que participei de um grupo de apoio bem legal, que me dei conta de que, "se ninguém entende nada, qualquer um que me entender, em pelo menos 1 por cento, é lucro".
E só depois depois dessa experiência, percebi também que o que eu tinha a dizer sobre mim, ajudou muitas pessoas.
" - Ai, mas e daí?"
"- Tá, já entendi que os grupos de apoio não são bichos de sete cabeças, mas não tenho coragem de falar." .
Primeiro, você não é obrigado ou obrigada à falar, só porque está na reunião.
Segundo: eu entendo. Quando me inscrevi pra uma reunião pela primeira vez, eu também tinha intenção de só ficar ouvindo - e você pode, se quiser.
Mas quando comecei a escutar o que as pessoas estavam dizendo, algo mudou dentro de mim.
A maneira que alguns participantes pensavam sobre algumas coisas que eu também sentia, me fez perceber o quão diferente as pessoas podem ser afetadas pelos mesmos sintomas.
Em outras palavras, descobri que as pessoas buscavam respostas diferentes para as mesmas perguntas - acho que ficou melhor de entender assim. Hahahaha
Então eu posso te dizer com certeza: você não está sozinho, você não está sozinha!
Ainda com um pé atrás?
Essa visão de tudo que te contei até agora, pode não ter sido (ou provavelmente não foi) o suficiente pra te convencer. Mas não é o meu objetivo te induzir a fazer nada.
Aqui eu te conto "Como falar (ou não) sobre os seus transtornos psicológicos".
O que eu quero em tudo o que publico aqui, é, como eu sempre digo, tornar as coisas mais leves (viu a formatação em itálico - pra te mostrar o "leve"? 😎).
Se o problema é vergonha...
Se o que te impede de falar é apenas vergonha, fique tranquilo, fique tranquila.
Compartilhe o que está sentindo, não tenha vergonha disso - todas as suas experiências fazem parte da sua trajetória, é parte da sua história.
Enfrentar essas doenças e sintomas, todos os dias, só mostra o quão forte somos, o quanto carregamos conosco. Não é nada fácil, e olha o quanto você já conseguiu até agora. E de onde veio toda essa força, tem muito mais! - foi isso que eu consegui perceber durante a minha primeira reunião, só um pouco mais incrementado.
Ao dividir essas palavras, e ver o quanto as pessoas se sentiram impactadas com o meu pensamento - que, pra mim, não passava de uma simples observação - me motivou à levantar da cama todos os dias e a querer fazer mais.
Agora o peso da depressão já não era mais só meu, e pude aproveitar esse alívio pra olhar para outras coisas que são importantes pra mim.
Espero que eu tenha te ajudado a entender que grupos de apoio podem te ajudar. Depois me conta depois como foi a sua experiência, que eu já tô curiosa!
Manda esse post pra alguém que precisa. Não precisa falar o assunto, só compartilha, diz que achou interessante. Isso pode ajudar muito essa pessoa, em algum momento muito difícil.
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